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Demissões em massa à vista? Repercussões da crise nas exportações nas relações de trabalho

29/07/2025

Muito tem se falado sobre o estremecimento que o mercado sofreu com a imposição de tarifas pelo governo americano. Na Serra Gaúcha, os setores de vitivinicultura, móveis, madeireiras e da indústria metalmecânica já manifestaram preocupação, uma vez que serão afetados diretamente quando a medida entrar em vigor, o que deve ocorrer já na sexta-feira, dia primeiro de agosto.

Embora ainda haja expectativa de que o governo americano repense a medida e, pelo menos, reduza o percentual aplicado, dificilmente haverá mudança imediata. A consequência, portanto, é agora e precisa ser enfrentada. Além disso, uma eventual redução da alíquota não resolve o problema: mesmo com um percentual menor, a manutenção das exportações poderá seguir economicamente inviável.

Dito isso, é importante lembrar que não apenas as relações comerciais serão atingidas. As relações de trabalho também serão forte e diretamente afetadas com a crise que se avizinha. Com a aplicação de uma taxa de 50% sobre o produto brasileiro, este se tornará menos competitivo no mercado americano, o que levará à redução, ou até interrupção, das exportações desses setores, podendo acarretar problemas na absorção de mão de obra. 

O cenário que se desenha é comparável ao que ocorreu durante a pandemia e as recentes enchentes que devastaram o estado do Rio Grande do Sul. Assim, medidas emergenciais precisarão serem autorizadas para apoiar as empresas e evitar demissões em massa, tais como suspensões temporárias de contratos de trabalho com pagamento de ajuda compensatória de forma indenizatória, banco de horas ampliado, antecipação de férias, ampliação de prazos para recolhimento do FGTS e encargos trabalhistas, entre outras.

O desafio é encontrar alternativas que possam salvar a economia da crise, soluções reais, comprovadas e capazes de fazer a diferença neste momento. Nesse contexto, é fundamental uma verdadeira parceria entre governo, sindicatos e empresas diretamente atingidas, de modo a priorizar soluções eficazes e concretas para enfrentar a situação.

Por isso, torna-se imprescindível a simplificação e a flexibilização do processo de negociação coletiva, já que muitas das medidas mencionadas só podem ser implementadas por meio de acordos entre empresas e sindicatos. A negociação precisa ser célere, eficaz e sensível à urgência do momento e os desligamentos em larga escala não podem ser descartados. A construção de soluções passa, necessariamente, por um ambiente de diálogo aberto e colaborativo, onde o interesse coletivo prevaleça sobre conflitos pontuais.

Espera-se ainda que o governo assuma o papel de criar políticas eficazes para conter a crise. A simples promessa ou mesmo a execução de retaliações comerciais contra os Estados Unidos não é capaz de mitigar os efeitos imediatos das tarifas sobre as relações de trabalho e sobre a economia brasileira. Os impactos nas exportações e no mercado de trabalho serão imediatos e por isso é necessário focar na criação de políticas de apoio interno.

Vale ressaltar que, no apagar das luzes, todos os cidadãos brasileiros serão atingidos direta ou indiretamente, seja com demissões, alta de preços ou com a redução do poder de compra. As consequências não se restringem ao setor produtivo ou aos empresários, mas chegam ao cotidiano das famílias, que enfrentarão um ambiente de maior instabilidade econômica e incertezas.

Estamos atentos aos desdobramentos e cientes de que algumas medidas precisarão ser adotadas para conter os impactos da crise que se aproxima.
 

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