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Go to the Balcony!!!

10/07/2025

Go to the Balcony*!!! Go to the Balcony!!! Parafraseando o professor William Ury, é exatamente isso que o Governo Americano e o Governo Brasileiro devem fazer imediatamente.

Com o anúncio de ontem, o Governo Americano determinou a imposição de uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, adicionando um elemento inesperado à relação comercial entre os dois países. Estamos diante de uma escalada no conflito político, o que prejudica ambas as economias e seus respectivos empresários.

Infelizmente, é essa a realidade. Enquanto os dois governos trocam farpas e ameaças, utilizando medidas tarifárias protecionistas e restritivas ao comércio internacional com justificativas políticas, são justamente os empresários e o povo que movimentam a economia global os mais prejudicados.

O impacto direto, sem dúvida, será sentido pelas empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos e pelas empresas americanas que importam produtos do Brasil, já que sobre o preço dos produtos brasileiros importados haverá a aplicação de uma tarifa alfandegária de 50% sobre o valor do produto.

Esse é um custo adicional que não estava previsto pelas empresas americanas ao adquirirem produtos de empresas brasileiras. Diante desse cenário, num primeiro momento, poderão ocorrer cancelamentos de pedidos já realizados, renegociações de preços e, o que é pior, a substituição dos fornecedores brasileiros por outros com produtos mais baratos.

Já no impacto indireto, a economia brasileira será afetada como um todo: aumentos de custos, elevação das despesas, perdas de produção e faturamento, risco de desemprego e uma degradação ainda maior da economia.

No lado americano, haverá aumento nos preços. Caso sejam mantidos os parceiros comerciais brasileiros, o produto ou insumo importado terá um acréscimo de 50%, pressionando os preços de diversos itens no mercado interno dos EUA. Certamente, as empresas importadoras americanas não conseguirão absorver todo esse custo adicional, sendo obrigadas a repassá-lo aos consumidores, gerando inflação.

Se as tarifas protecionistas forem mantidas, as alternativas serão buscar outros mercados, alterar os locais de produção dos bens ou estabelecer novas estratégias comerciais globais. É claro que, mesmo sendo possíveis tais ações, o elemento-chave é o tempo. Quanto tempo uma empresa brasileira poderá resistir enquanto busca novos mercados? Quanto tempo uma empresa americana conseguirá permanecer sem seus fornecedores e repassando custos ao consumidor? Essa é uma resposta que ainda não sabemos.

· Metáfora utilizada por Willian Ury que significa dar um passo para trás, se distanciar da situação e avaliar de forma objetiva, como um observador imparcial que olha de uma sacada o conflito abaixo.
  Fábio Stefani,

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